No fundo, mais
fundo que encontrar.
No escuro mais
negro que existir.
É onde quero
estar.
É para onde quero
fugir!
Sem ninguém,
Sem nada.
Apenas eu…
Assim… Destroçada!
Para sempre, de
uma vez!
Porque é sempre
assim,
A resposta
existe, talvez…
Mas não está em
mim!
Encontro
escuridão,
Encontro dor,
E no meu coração…
Continua vazio... O
lugar do Amor!
Passo de novo à
frente,
Nem uma recordação
distante!
Virá um dia diferente?
Virás um dia…
Amante?
Existirás neste
mundo?
Quero esperar
ali, mesmo no fundo!
Luisa Fonseca
Virei ao contrário o universo.
Escrevi em verso todo o meu amor.
Deixei-me arder na dor do ciúme…
E tu deixaste apagar-se esse lume!
Fiz tudo para te chamar a atenção…
Agora a pressão teima em sair pelo meu peito…
já desfeito de esperar!
Agora os meus braços transformam-se em cansaço por não te
poder abraçar!
E nem assim uma palavra, quando tudo o que anseio é poder-te
ouvir.
Agora o que resta para mim… é apenas desistir!
Inventei tudo para te conhecer.
E a tua porta sempre fechada.
Falei demais e nem assim me disseste nada.
Agora fiquei sem mais nada para dizer!
Na demora do que jamais irá acontecer!
A felicidade para mim não existe.
Agora…
Estou mesmo muito triste!
Luisa Fonseca
Um dia vou acordar com o sol no espaço…
Sem nostalgia, nem dor e sem chorar.
Um dia faço da alegria o meu leito,
Um dia…
Cúmplice da lua, com quem me deito,
Vou recordar fugazmente quem fui,
Indiferente a quantas vezes tive de existir
Imersa nesse céu que
tudo dilui,
Nesse paraíso,
Para onde em breve vou fugir…
Não preciso recordar
Não há amarras para me prender
Nem tenho de lutar por ideais…
É lá, de onde venho
Onde não existem mortais!
Luisa Fonseca
Quando de mim nascer a mais bela pintura que algum dia fiz…
Na altura certa, quando estou certa que sou artista…
Quando chamo por alguém... E esse alguém arrisca…
Quando vir que já não estou apenas eu…
Quando o meu coração bater descompassado…
Partam-me as pernas,
Cortem-me os braços,
Tirem-me a identidade,
Calem-me a voz,
Impeçam-me de olhar,
Enterrem-me bem fundo…
Nada disso me irá afectar, porque já não pertenço a este
mundo!
Luisa Fonseca
Pequeno animal…
Ferra,
nos meus olhos turvos de emoção,
O teu veneno mais mortal…
E encerra esta encarnação!
Dilacera o meu ser e esmaga os destroços!
Numa saga de horror,
Queima todos os meus esboços,
Destrói o que foi a minha arte.
Que a morte não dói!
Que quem parte não sente dor!
A vida é uma nota triste
E o Amor nem sequer existe!
Luisa Fonseca
Pinto em vão belas paisagens.
De viagens que não fiz,
de momentos que perdi!
Descrevo em poesia o que não vi,
Palavras que ninguém me diz
Magia que não existe.
Desfaz-se agora todo o meu Ser
Desiste do que houve e há-de vir!
Solto em vão um grito mudo,
Aflito!
E não tenho ninguém para o ouvir!
Luisa Fonseca
Nem meu é
O meu destino,
No desatino de ficar ou partir.
Já não tenho Fé.
Nem com quem estar,
Ou onde ir!
Não há espaço
Para mim...
Marco o compasso
Até ao fim...
À espera da sorte!
E na espera que demora
Marco o compasso,
Da hora da minha morte!
Luisa Fonseca
Paz e Vitória
E já perdi o sentido do saber.
História que doa a quem doer,
Só a mim vai deixando magoada.
Então escolho assim,
Não sei nada!
Mas olho daqui para o firmamento,
Depois que tudo morreu,
E onde julguei ver-vos a todos…
Estou tão só, apenas Eu!
Luisa Fonseca







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