ENCANTAMENTO




Quando cai a chuva,
assim, cheia de mim
De pranto insano
De lógica inversa
Imersa no desengano
De ficar ou partir
Estar ou fugir
Assim
Mente confusa
Sem imaginar o fim
Ou saber o presente
É demais para ser natural
Complexo
Sentido desvirtual
Não sei o que espero
Mas assim também não quero!


Luisa Fonseca





Canto até ao fim
Uma canção de embalar
No calor do meu regaço,
Onde me abraço apenas a mim.
Não devia acreditar
Não devia ouvir ninguém
Porém…
Não o consigo evitar!
O meu dom é o meu castigo,
É a minha maldição,
E o meu maior ciúme!
É de todas a pior herança!
É nisto que se resume
A minha falta de confiança!
Canto até ao fim
E aperto mais o meu abraço,
A última nota ecoou...
Sim, gostam de mim,
Mas apenas por aquilo que faço!
E nunca por aquilo que sou!
Luisa Fonseca






Chega a chaga até mim,
Procuro-a na imensidão na noite,
Que o vento me açoite,
Num turbilhão devastador.
Que eu sinta essa dor, enorme.

E enquanto o mundo dorme
O meu pranto inocente desperta.
Ninguém o ouve, ninguém me sente!

Acabou o encanto,
Sem que fosse descoberta!

Luisa fonseca






É um estremecimento no peito
Que me incendeia por dentro!
Que me faz transpirar,
Me aquece a face,
E quase esquece…
(Por um breve momento)
Que preciso respirar!

E solta o fogo!
Solta o vento!
Desfaz a terra!
Engole o mar!
Qualquer jogo que logo invento
Traz em si a palavra amar!

Mas não te traz a ti…

(Mistério que te encerra)
(Sentimento Original)

Era só eu a sonhar!
Não faz mal…

Luisa Fonseca





Uma mão que larga a minha…
Um segredo que se aninha no meu peito.
Já desfeito de sonhar!

Preciso dos teus abraços.
E nem sei se seria capaz!

Não oiço os teus passos
O destino não te traz!
Fico sozinha
Fico assim
Com uma mão, apenas a minha
Com um segredo, apenas para mim!

Luisa Fonseca




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