O FIM (...)






Depois da solidão é o silêncio que vem,
Dispo a minha fantasia…
Calo a minha alegria…
Não incomodo mais ninguém!

Luisa Fonseca






Solidão é…
O vazio mais escuro do infinito,
O eco do silêncio por detrás de cada grito,
A sensação de falta, da fala e do abraço,
Um espaço vazio, no tempo que não passa!

Solidão é…
O deserto árido em cada manhã,
O amanhã a tomar conta do presente,
O frio constante que se sente,
A recordação distante que se esquece!

Solidão é…
Uma vontade inadiável de partir,
Um desejo abandonado de chorar.

Solidão é…
Apenas o que ainda consigo sentir!

Solidão é…
Tudo o que restou para me acompanhar!

Solidão é…
Sentirmo-nos a morrer no tempo em vão!


Luisa Fonseca


A FORÇA DE CONTINUAR






Se eu contasse a minha história,

Não sabia dizer onde começou,
É mais longe que a minha memória,
À milhões de anos que aqui estou.

A dor dos desenganos e paixões,
O sabor de cada vitória alcançada,
A cor em cada tela pintada,
A dor em cada alma perdida.

Esta vida está agora a nascer.
E será com Amor que dela me despeço,
Sinto ter ainda tudo por fazer,
Mas depois desta vez… Eu já não regresso!

Luisa Fonseca







Eu sou forte… Sou uma lutadora arrojada!
Não tenho medo da morte,
Não tenho medo de nada!
Não cedo, tão cedo, ao que derruba os mortais.

Eu sou um desses seres especiais.
Que dá a mão a outra alma enfraquecida,
Que ajuda sempre a mais necessitada,
Que procura facilitar outra vida.

Com Amor e a troco de nada…
Mas eu troco quem sou,
E dou a dor que trago comigo,
Sempre que procuro um amigo.

Capaz de me renovar com magia,
De  devolver o meu sofrimento,
Mas transformado em energia.
Só nesse momento volto a ser EU!

Se é a ti quem procuro para me levantar,
É porque confio no teu poder,
Como te posso depois ajudar,
Se agora não me ajudas a sobreviver?

Fico mais triste quando percebo que aqueles em quem confio assim de verdade…
Não confiam o suficiente, nem neles, nem em mim!
Nem na nossa amizade!


Luisa Fonseca

PAIXÃO




Quanto tudo o que te restar de mim
 for apenas um reflexo meu
talvez sintas saudade!
Quando tudo chegar ao fim
só  vai sobrar o que é teu
talvez então vejas que era verdade!
Que o que hoje desejas
podias ter conquistado
que ao invés de sozinho
podias estar ao meu lado
que o meu mundo de carinho
podia ser teu para sempre
que quem sente amor a sério
não vive de mistério
que a dor pela qual passas
podia passar por ti
sem nunca a sentires
pena…
não me ouvires!

Luisa Fonseca




 Deixa a chama aquecer o meu peito, que eu chamo de longe, quem eu quero
E se alguém me chama do mesmo jeito, é esse alguém quem tanto espero.
Então o meu coração bate descompassado, num compasso vertiginoso!
No meu percurso sinuoso, que te insinua a meu lado.
Já não há dor, ou lamento, nada mais me faz chorar!
E Não há vento, ou tempestade, capaz de me derrubar…
 
Luisa Fonseca




Outra viragem, numa rotação de 360 graus.
Nova viagem, à velocidade do som.
Agarro o dom e subo os degraus,
Pinto a verdade e sinto a magia,
Faço da luz a poesia que traduz o amor…
Seja quem for que veja o segredo,
Este enredo no meu coração.
Que segure  a minha mão,
E enquanto perdure esta abordagem,
Não quero pranto, nem correntes,
Quero só uma a tua imagem
Quero ser só eu quem tu sentes!

 Luisa Fonseca




 
Nasci no fundo dos oceanos,
Evolui  milhões de anos
Lutei em batalhas mortais
Passaram-se vidas demais

Viajei pelo universo imenso
Agora, tento em verso
Dizer tudo o que penso

O presente está a acontecer
Qual grão de pó no espaço
E o meu peito apenas sente,
Saudade de um abraço,

Recordação sem idade
Escondida por aí…
Escondida em ti…
E posso-me enganar!

Um dia, por uma só vez
Num lugar qualquer,
Encontro no meio do escuro.

Um dia, assim sem querer,
Talvez sejas quem  procuro!

 Luisa Fonseca



É um fio de ouro muito fininho,
Que se estende até ao infinito,
É um grito baixinho, que temo articular.
Quase com medo de arriscar.

Hoje, 
O meu segredo mais bem guardado,
É o desejo de estar a teu lado.

Contigo,
Vejo outras paisagens,
Imagino mil viagens,
Num tempo que demora.
E agora,
Apenas um receio…
Onde estás?
não tenho um meio de te encontrar!

Vem,
Ao encontro do que penso,
Atravessar o imenso oceano
Cansar-te no tempo
Perder-te no espaço,
Sem limites!

E,
Embora não acredites,
É tão frágil o fio que nos separa daqui,
Tão longe o agora,
Quão intenso é,
O que sinto por ti!

Luisa Fonseca




A paixão acorda o Ser,
Liberta a inspiração,
Faz algo imenso acontecer!
Desperta o que a Alma esqueceu,
Faz um Universo emergir do nada.
E penso…
Foi isso que aconteceu,
Sempre que estive apaixonada!
Luisa Fonseca






Profundo,
Como o infinito do céu!
Num mundo que não o meu.
Enigmático,
Como os segredos que queria revelar!
Vi-te, mas não te conheço,
Nem sei a cor do teu olhar!
Sem convite, eu apareço no teu espaço!
Procurando atenção, cumplicidade.
Ou apenas um abraço.
Sem confusão, nem correntes,
Apenas simplicidade.
Somente companhia.
Mas se não é igual o que tu sentes
Então eu saio,
e trago a minha fantasia!
Luisa Fonseca

O FIM COMEÇOU




No fundo, mais fundo que encontrar.
No escuro mais negro que existir.
É onde quero estar.
É para onde quero fugir!

Sem ninguém,
Sem nada.
Apenas eu…
Assim… Destroçada!

Para sempre, de uma vez!
Porque é sempre assim,
A resposta existe, talvez…
Mas não está em mim!

Encontro escuridão,
Encontro dor,
E no meu coração…
Continua vazio... O lugar do Amor!

Passo de novo à frente,
Nem uma recordação distante!
Virá um dia diferente?
Virás um dia… Amante?

Existirás neste mundo?
Quero esperar ali, mesmo no fundo!

Luisa Fonseca





Virei ao contrário o universo.
Escrevi em verso todo o meu amor.
Deixei-me arder na dor do ciúme…
E tu deixaste apagar-se esse lume!
Fiz tudo para te chamar a atenção…
Agora a pressão teima em sair pelo meu peito…
já desfeito de esperar!
Agora os meus braços transformam-se em cansaço por não te poder abraçar!
E nem assim uma palavra, quando tudo o que anseio é poder-te ouvir.
Agora o que resta para mim… é apenas desistir!
Inventei tudo para te conhecer.
E a tua porta sempre fechada.
Falei demais e nem assim me disseste nada.
Agora fiquei sem mais nada para dizer!
Na demora do que jamais irá acontecer!
A felicidade para mim não existe.
Agora…
Estou mesmo muito triste!

Luisa Fonseca




Um dia vou acordar com o sol no espaço…
Sem nostalgia, nem dor e sem chorar.
Um dia faço da alegria o meu leito,
Um dia…
Cúmplice da lua, com quem me deito,
Vou recordar fugazmente quem fui,
Indiferente a quantas vezes tive de existir
 Imersa nesse céu que tudo dilui,
Nesse paraíso,
Para onde em breve vou fugir…
Não preciso recordar
Não há amarras para me prender
Nem tenho de lutar por ideais…
É lá, de onde venho
Onde não existem mortais!


Luisa Fonseca




 Quando eu quiser correr só por correr, por  apenas ser feliz…
Quando de mim nascer a mais bela pintura que algum dia fiz…
Na altura certa, quando estou certa que sou artista…
Quando chamo por alguém... E esse alguém arrisca…
Quando vir que já não estou apenas eu…
Quando o meu coração bater descompassado…
Partam-me as pernas,
Cortem-me os braços,
Tirem-me a identidade,
Calem-me a voz,
Impeçam-me de olhar,
Enterrem-me bem fundo…
Nada disso me irá afectar, porque já não pertenço a este mundo!
 
 Luisa Fonseca




Pequeno animal…
Ferra,
nos meus olhos turvos de emoção,
O teu veneno mais mortal…
E encerra esta encarnação!
Dilacera o meu ser e esmaga os destroços!
Numa saga de horror,
Queima todos os meus esboços,
Destrói o que foi a minha arte.
Que a morte não dói!
Que quem parte não sente dor!
A vida é uma nota triste
E o Amor nem sequer existe!
Luisa Fonseca





Pinto em vão belas paisagens.
De viagens que não fiz,
de momentos que perdi!
Descrevo em poesia o que não vi,
Palavras que ninguém me diz
Magia que não existe.
Desfaz-se agora todo o meu Ser
Desiste do que houve e há-de vir!
Solto em vão um grito mudo,
Aflito!
E não tenho ninguém para o ouvir!

Luisa Fonseca





Nem meu é
O meu destino,
No desatino de ficar ou partir.
Já não tenho Fé.
Nem com quem estar,
Ou onde ir!

Não há espaço
Para mim...
Marco o compasso
Até ao fim...
À espera da sorte!

E na espera que demora
Marco o compasso,
Da hora da minha morte!


Luisa Fonseca





Paz e Vitória
E já perdi o sentido do saber.
História que doa a quem doer,
Só a mim vai deixando magoada.
Então escolho assim,
Não sei nada!

Mas olho daqui para o firmamento,
Depois que tudo morreu,
E onde julguei ver-vos a todos…
Estou tão só, apenas Eu!
Luisa Fonseca